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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Sobre a Afetividade

   A afetividade é o pilar da memória. Seja a memória histórica de nossa civilização, de nossa sociedade, do nosso povo, do nosso bairro, da nossa comunidade; ela começa no nosso apreço e apego emotivo  pelas coisas e pessoas ao nosso redor. É ser grato pelo que temos, vivemos e nos relacionamos nas nossas vidas. 
   Neste sentido, não é de se estranhar que ao estudarmos os pilares da civilização encontremos os clãs ou as famílias - sejam elas patri ou matrilineares - agindo como o sustentáculo-semente de nossas origens e instituições sociais. Mas, para além, dos laços consanguíneos, a estrutura que nos conserva e sustém - seja como pessoas, famílias, grupos de interesses, sociedades e como civilização -, é alimentada por sentimentos de solidariedade e afeto. 
   O afeto por algo nos faz querer conservar e manter vivo. Mesmo que tal objeto já não esteja mais ao alcance de nossos sentidos físicos. O instrumento para isso - o desejo de eternizar? A memória. E, esta, é evocada por símbolos. Durante toda história o homem cunhou símbolos para se recordar e conservar. Algum sábio, provavelmente de origem grega, disse uma vez: a palavra nos traz a presença. E que presença seria essa se não a imagem evocada pelas afetividades que mantemos em relação àquilo que desejamos presentificar? Aqui você, caríssim@ pode estar se perguntando: mas aonde você quer chegar, meu caro Fleming, com essa reflexão?
   Vos então responderei. É pelo simples desejo que tenho de retribuir a todos os afetos e importâncias que recebi na vida. Percebo que hoje, em alguns momentos em que falo de Amor, as pessoas ironizam e banalizam - ou se posicionam ceticamente numa posição de reação aos "paulocoelhismos" do amor. Como se o Amor também não precisasse do discurso e de sua prática. Ter afeto é lembrar: reforçar pelo trabalho a memória. E tudo isso é Amor!
    O tempo, como categoria e artifício psicológico, só é possível através da memória. É a partir do momento que os homens passam a conceituar a realidade, criando a memória das coisas, que eles passam a atribuir valores e medidas. Antes da memória não existia tempo, logo, não existia História. Por conseguinte, a realidade, como objeto da reflexão, também não era possível de ser apreendida e transformada pelo homem em objeto de trabalho e aperfeiçoamento: reinava o acaso - onde cronos devorava seus filhos divinos.     
   Não me estenderei, pois aqui a proposição é pensar! Levando em consideração esta reflexão, quem há de objetar a velha máxima "paulocoelhística" de que "o amor constrói" e que o afeto, a empatia pelas coisas e pessoas está na base de tudo? E com que argumentos? Fica para a reflexão.


                                                                                                                                                                Cleverson Fleming em 03/04/2014.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Dos verdadeiros progressistas...

"O verdadeiro impulso para o progresso é dado, naturalmente, pelos que sofrem e são oprimidos. São eles que mordidos pela miséria, de arranco em arranco, atiram a sociedade para diante (...) O caso dos raros progressistas e inovadores saídos das classes conservadoras não destrói a regra comum, porque, em verdade, é na classe dos oprimidos que eles se vêm amparar, quando, ou a ambição, ou mesmo, o altruísmo, os leva a lutar em prol da justiça" (Manoel Bomfim. América Latina, p. 359).
Citando o Mestre Manoel Bomfim, sobre o conservadorismo brasileiro

"A sociedade conserva-se, independentemente de qualquer esforço; conserva-se, pelo simples fato de que existe, por uma função inconsciente, reflexa, necessária a tudo que é (...) Há conservadores cujos esforços se dirigem no sentido, não de defender a sociedade contra supostas destruições impossíveis, mas de conservar para uma classe, para certos grupos, umas tantas vantagens, ligadas a abusos e iniquidades. Onde quer que surja a oposição conservadora, há um privilégio que se quer manter" (Manoel Bomfim, América Latina. P. 168,170 e 171).